... Às vezes parece que eu não existo... Quando fecho meus olhos à noite, não parece que eu tenha vivido tudo aquilo que me lembro... parece que estou assintindo a vida de uma outra pessoa, alguém que não conheço, que me é totalmente indiferente...
Viver parece uma ilusão. Para mim só existe o presente porque quando penso no passado me parece que estou sonhando... Será a vida uma sombra da cristividade de um Ser Superior? Será que não comandamos nossos passos por nós mesmos e sim pela mente de outrem?
Parece loucura pensar assim e talvez até seja mesmo... Na minha opinião a vida é uma peça teatral onde estamos todos representando o papel de nós mesmos, mas de um jeito diferente do que realmente somos ou desejamos ser... Ninguém é capaz de ser como quer. Não somos o que queremos ser, somos como nos ensinaram que é "correto" ser. Mas se tudo é relativo, como saber se é certo o que fazemos, pensamos, falamos ou nosso modo de agir?
Meus maiores conflitos são os comigo mesma. Acho que é meu "eu verdadeiro" que se choca com meu "eu imputado" (pela familia, sociedade, cultura...). O Modo como sou difere do modo como realmente desejo ser, e isso me agride profunda e significativamente... is a causa dessa confusão que há na minha mente...
Faço minhas as palavras de Sheakspeare:
"Ser ou não ser? Eis a questão..."
Elisama Cristina de Oliveira Marques
Thursday, December 07, 2006
Thursday, November 30, 2006
"É como se eu nascesse todo dia. Não é incrível que existam bananeiras, abacateiros e jabuticabeiras? De onde será que veio tudo isso? Todo dia eu me faço as mesmas perguntas. É como se eu estivesse vendo as coisas do mundo sempre pela primeira vez. Os vales, a chuva, os mares. A terra, os animais e as floretas. O fogo, o tempo e a claridade. Sem falar no céu com todas as suas estrelas e na lua com todas as suas fases. Como surgiu tudo isso? Os meus porquês são palavras incontáveis. O sentimento de absurdo me invade quando reparo na arquitetura humana. O sistema nervoso, veias e artérias, músculos e ossos, cérebro e coração. Bocas e braços, narizes e olhos, ouvidos e mãos. O ser humano é feito de uma perfeição absurda. Realmente inexplicável. Me admiro o tempo inteiro e acredito que nunca vou me acostumar com as coisas do mundo. Quem criou tudo isso? A resposta óbvia me remete a Deus e eu pergunto: Se Deus criou tudo, quem criou Deus? Se tudo surgiu dele, de onde ele surgiu então? As perguntas continuam sendo as mesmas, só muda o sujeito da oração. Eu vejo as coisas do mundo como quem assiste à um espetáculo de mágica. Num grande truque, o belo coelho branco surge de dentro da cartola até então vazia. Como assim? Não sei. Mas quero muito saber. Todo dia eu acordo buscando saber quem sou e de onde vem o mundo. E me faço as mesmas perguntas. É como se eu estivesse vendo as coisas do mundo sempre pela primeira vez. É como se eu nascesse de novo, todo dia."
[ O Teatro Mágico ]
Wednesday, November 29, 2006
Querer
Não te quero senão porque te quero
E de querer-te a não querer-te chego
E de esperar-te quando não te espero
Passa meu coração do frio ao fogo.
Te quero só porque a ti te quero,
Te odeio sem fim, e odiando-te rogo,
E a medida de meu amor viageiro
É não ver-te e amar-te como um cego.
Talvez consumirá a luz de janeiro
Seu raio cruel, meu coração inteiro,
Roubando-me a chave do sossego.
Nesta história só eu morro
E morrerei de amor porque te quero,
Porque te quero, amor, a sangue e a fogo.
(mais uma de Pablo Neruda...)
[acho que só vai ter poesias nesse blog...]
Walking Around
Acontece que me canso de meus pés e de minhas unhas,
do meu cabelo e até da minha sombra.
Acontece que me canso de ser homem.
Todavia, seria delicioso
assustar um notário com um lírio cortado
ou matar uma freira com um soco na orelha.
Seria belo
ir pelas ruas com uma faca verde
e aos gritos até morrer de frio.
Passeio calmamente, com olhos, com sapatos,
com fúria e esquecimento,
passo, atravesso escritórios e lojas ortopédicas,
e pátios onde há roupa pendurada num arame:
cuecas, toalhas e camisas que choram
lentas lágrimas sórdidas....
Esse poema é de Pablo Neruda, um poeta que um amigo meu me ensinou a gostar...
Acontece que me canso de meus pés e de minhas unhas,
do meu cabelo e até da minha sombra.
Acontece que me canso de ser homem.
Todavia, seria delicioso
assustar um notário com um lírio cortado
ou matar uma freira com um soco na orelha.
Seria belo
ir pelas ruas com uma faca verde
e aos gritos até morrer de frio.
Passeio calmamente, com olhos, com sapatos,
com fúria e esquecimento,
passo, atravesso escritórios e lojas ortopédicas,
e pátios onde há roupa pendurada num arame:
cuecas, toalhas e camisas que choram
lentas lágrimas sórdidas....
Esse poema é de Pablo Neruda, um poeta que um amigo meu me ensinou a gostar...
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