Desânimo
Estou agora triste. Há nesta vida
Páginas torvas que se não apagam,
Nódoas que não se lavam... se esquecê-las
De todo não é dado a quem padece...
Ao menos resta ao sonhador consolo
No imaginar dos sonhos de mancebo!
Oh! voltai uma vez! eu sofro tanto!
Meus sonhos, consolai-me! distraí-me!
Anjos das ilusões, as asas brancas
As névoas puras, que outro sol matiza.
Abri ante meus olhos que abraseiam
E lágrimas não tem que a dor do peito
Transbordem um momento...
E tu, imagem,
Ilusão de mulher, querido sonho,
Na hora derradeira, vem sentar-te,
Pensativa e saudosa no meu leito!
O que sofres? que dor desconhecida
Inunda de palor teu rosto virgem?
Por que tu'alma dobra taciturna,
Como um lírio a um bafo d'infortúnio?
Por que tão melancólica suspiras?
Ilusão, ideal, a ti meus sonhos,
Como os cantos a Deus se erguem gemendo!
Por ti meu pobre coração palpita...
Eu sofro tanto! meus exaustos dias
Não sei por que logo ao nascer manchou-os
De negra profecia um Deus irado.
Outros meu fado invejam... Que loucura!
Que valem as ridículas vaidades
De uma vida opulenta, os falsos mimos
De gente que não ama? Até o gênio
Que Deus lançou-me à doentia fronte,
Qual semente perdida num rochedo,
Tudo isso que vale, se padeço!
Nessas horas talvez em mim não pensas:
Pousas sombria a desmaiada face
Na doce mão e pendes-te sonhando
No teu mundo ideal de fantasia...
Se meu orgulho, que fraqueia agora,
Pudesse crer que ao pobre desditoso
Sagravas uma idéia, uma saudade...
Eu seria um instante venturoso!
Mas não... ali no baile fascinante,
Na alegria brutal da noite ardente,
No sorriso ebrioso e tresloucado
Daqueles homens que, pra rir um pouco,
Encobrem sob a máscara o semblante,
Tu não pensas em mim. Na tua idéia
Se minha imagem retratou-se um dia
Foi como a estrela peregrina e pálida
Sobre a face de um lago...
[Álvares de Azevedo]
Wednesday, August 01, 2007
Monday, July 30, 2007
Lágrimas da vida
Se tu souberas que lembrança amarga
Que pensamento desflorou meus dias,
Oh! tu não creras meu sorrir leviano,
Nem minhas insensatas alegrias!
Quando junto de ti eu sinto, às vezes,
Em doce enleio desvairar-me o siso,
Nos meus olhos incertos sinto lágrimas...
Mas da lágrima em troco eu temo um riso!
O meu peito era um templo - ergui nas aras
Tua imagem que a sombra perfumava...
Mas ah! emurcheceste as minhas flores!
Apagaste a ilusão que o aviventava!
E por te amar, por teu desdém, perdi-me...
Tresnoitei-me nas orgias macilento,
Brindei blasfemo ao vício e da minh'alma
Tentei me suicidar no esquecimento!
Como um corcel abate-se na sombra,
A minha crença agoniza e desespera...
O peito e lira se estalaram juntos...
E morro sem ter tido primavera!
Como o perfume de uma flor aberta
Da manhã entre as nuvens se mistura,
A minh'alma podia em teus amores
Como um anjo de Deus sonhar ventura!
Não peço o teu amor... eu quero apenas
A flor que beijas para a ter no seio...
E teus cabelos respirar medroso...
E a teus joelhos suspirar d'enleio!
E quando eu durmo... e o coração ainda
Procura na ilusão tua lembrança,
Anjo da vida passa nos meus sonhos
E meus lábios orvalha d'esperança!
Se tu souberas que lembrança amarga
Que pensamento desflorou meus dias,
Oh! tu não creras meu sorrir leviano,
Nem minhas insensatas alegrias!
Quando junto de ti eu sinto, às vezes,
Em doce enleio desvairar-me o siso,
Nos meus olhos incertos sinto lágrimas...
Mas da lágrima em troco eu temo um riso!
O meu peito era um templo - ergui nas aras
Tua imagem que a sombra perfumava...
Mas ah! emurcheceste as minhas flores!
Apagaste a ilusão que o aviventava!
E por te amar, por teu desdém, perdi-me...
Tresnoitei-me nas orgias macilento,
Brindei blasfemo ao vício e da minh'alma
Tentei me suicidar no esquecimento!
Como um corcel abate-se na sombra,
A minha crença agoniza e desespera...
O peito e lira se estalaram juntos...
E morro sem ter tido primavera!
Como o perfume de uma flor aberta
Da manhã entre as nuvens se mistura,
A minh'alma podia em teus amores
Como um anjo de Deus sonhar ventura!
Não peço o teu amor... eu quero apenas
A flor que beijas para a ter no seio...
E teus cabelos respirar medroso...
E a teus joelhos suspirar d'enleio!
E quando eu durmo... e o coração ainda
Procura na ilusão tua lembrança,
Anjo da vida passa nos meus sonhos
E meus lábios orvalha d'esperança!
Friday, July 27, 2007
Amor (Álvares de Azevedo)
Amemos! Quero de amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
Na tu'alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez!
Quero em teus lábio beber
Os teus amores do céu,
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!
Quero viver d'esperança,
Quero tremer e sentir!
Na tua cheirosa trança
Quero sonhar e dormir!
Vem, anjo, minha donzela,
Minha'alma, meu coração!
Que noite, que noite bela!
Como é doce a viração!
E entre os suspiros do vento
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!
Amemos! Quero de amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
Na tu'alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez!
Quero em teus lábio beber
Os teus amores do céu,
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!
Quero viver d'esperança,
Quero tremer e sentir!
Na tua cheirosa trança
Quero sonhar e dormir!
Vem, anjo, minha donzela,
Minha'alma, meu coração!
Que noite, que noite bela!
Como é doce a viração!
E entre os suspiros do vento
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!
Remorso (Olavo Bilac)
Às vezes, uma dor me desespera...
Nestas ânsias e dúvidas em que ando.
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.
Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...
Ah! Mais cem vidas! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!
Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro, neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude,
Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!
Às vezes, uma dor me desespera...
Nestas ânsias e dúvidas em que ando.
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.
Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...
Ah! Mais cem vidas! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!
Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro, neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude,
Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!
Wednesday, July 25, 2007
é, me deu vontade de fazer uma musica... Nem sei se saiu boa:
Só com a solidão
Desde que cheguei aqui
O céu desbotou, o sorriso amarelou
Meu lápis não responde mais
O que era mar virou um cais
Amigos já nem sei quem são
Paixões vem e vão
E só sobra eu, só com a solidão
Não quero levantar, enfrentar mais um dia
Me deixa quieto, não me acorda
Se quiser, traga um café...
Deixa aí, fecha a porta.
Minha Música perdeu a poesia
Minha Arte perdeu a inspiração
Um dia, quem sabe, eu acordo
E vejo tudo de outro jeito
Aí pode ser que te procure, pra saber de ti
E entender o que aconteceu
Mas por enquanto...
Me deixa cair num sono profundo
Pra me achar dentro de mim
Encontrar o eu que eu mesmo desconheço
Elisama Cristina de Oliveira Marques
Só com a solidão
Desde que cheguei aqui
O céu desbotou, o sorriso amarelou
Meu lápis não responde mais
O que era mar virou um cais
Amigos já nem sei quem são
Paixões vem e vão
E só sobra eu, só com a solidão
Não quero levantar, enfrentar mais um dia
Me deixa quieto, não me acorda
Se quiser, traga um café...
Deixa aí, fecha a porta.
Minha Música perdeu a poesia
Minha Arte perdeu a inspiração
Um dia, quem sabe, eu acordo
E vejo tudo de outro jeito
Aí pode ser que te procure, pra saber de ti
E entender o que aconteceu
Mas por enquanto...
Me deixa cair num sono profundo
Pra me achar dentro de mim
Encontrar o eu que eu mesmo desconheço
Elisama Cristina de Oliveira Marques
“Por um momento consegui te sentir. Consegui ouvir sua respiração, até te toquei... Viajei em seus olhos, flutuei como se fosse um sonho, mas de repente abri meus olhos e me vi sozinha no quarto de madrugada.
Chego à janela e você me chama, mas tão nitidamente que eu acredito que seja verdade... Quero flutuar no azul escuro do céu com você, me sinto cada vez mais perto... Você me convida de uma forma tão sedutora... Parece tudo tão real... Mas, como um baque lembro que você não está mais aqui... Mas agora já é tarde demais... “Já estou indo...” De repente me sinto amparada por suas mãos. “Agora nunca mais nos separaremos.” Você disse.
E fomos assim voando pelo céu enquanto um corpo sem vida jazia no chão com um sorriso sereno nos lábios...”
Elisama Cristina de Oliveira Marques
Chego à janela e você me chama, mas tão nitidamente que eu acredito que seja verdade... Quero flutuar no azul escuro do céu com você, me sinto cada vez mais perto... Você me convida de uma forma tão sedutora... Parece tudo tão real... Mas, como um baque lembro que você não está mais aqui... Mas agora já é tarde demais... “Já estou indo...” De repente me sinto amparada por suas mãos. “Agora nunca mais nos separaremos.” Você disse.
E fomos assim voando pelo céu enquanto um corpo sem vida jazia no chão com um sorriso sereno nos lábios...”
Elisama Cristina de Oliveira Marques
“Tem dias que a gente acorda com vontade de não ter acordado. Acorda com um vazio, uma angústia... Sentindo saudades de algo que não viveu, de alguém que não existe, ou talvez exista mas que ainda não tivemos a chance de conhecer... Ou pior: Você conhece, mas sabe que era melhor não ter conhecido...
É sempre bom ter alguém ao lado, mas, se a gente não tem acontece essas coisas. Parece que falta uma parte, aliás, uma boa parte...
Solidão é isso... Sentir falta de alguém que não se sabe, sentir saudade de um tempo que não existiu, sentir a perda de algo que nunca se teve.
Dizem que é assim mesmo até encontrarmos alguém que realmente valha a pena, até despertamos um sentimento confuso e genuíno: O amor. Mas enquanto não o encontramos vamos nos acostumando com a solidão, mas sem se acostumar muito hein! ”
"Solidão" - Elisama Cristina de Oliveira Marques
É sempre bom ter alguém ao lado, mas, se a gente não tem acontece essas coisas. Parece que falta uma parte, aliás, uma boa parte...
Solidão é isso... Sentir falta de alguém que não se sabe, sentir saudade de um tempo que não existiu, sentir a perda de algo que nunca se teve.
Dizem que é assim mesmo até encontrarmos alguém que realmente valha a pena, até despertamos um sentimento confuso e genuíno: O amor. Mas enquanto não o encontramos vamos nos acostumando com a solidão, mas sem se acostumar muito hein! ”
"Solidão" - Elisama Cristina de Oliveira Marques
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